História Natural do fim de ano

Meu fim de ano foi diferente. Graças à oportunidade concedida pela direção da Reserva Particular Parque do Zizo pude coletar dados reprodutivos, alimentares e bioacústicos sobre uma das espécies mais fascinantes e menos conhecidas da nossa Mata Atlântica: a maria-leque-do-sudeste, Onychorhynchus swainsoni. Estas informações são muito importantes para revelar mais sobre a história natural da espécie, que até então era pouco conhecida.

Fêmea de maria-leque-do-sudeste, Onychorhynchus swainsoni entre as idas e vindas ao ninho.

Conhecer a história natural das espécies é primordial para desenvolver qualquer outro tipo de trabalho, incluindo os planos de conservação. As primeiras publicações sobre estudos com aves européias são datadas de quase 500 anos, por isso grande parte das espécies do Hemisfério Norte já foi bem estudada. Ao contrário disso, pouco se sabe sobre a história natural da maioria das aves neotropicais e das que se sabe algo ainda restam lacunas.

Além do fator “esforço amostral” ou seja, espécies européias e norte americanas foram observadas por muito mais horas que as neotropicais, temos o fator “megadiversidade”, onde nossa “riqueza” (número de espécies) é alta e a densidade das populações é baixa. Seguindo este raciocínio, encontrar uma espécie rara (baixa densidade populacional), normalmente inconspícua, no interior de uma floresta cujo dossel atinge 30 metros de altura não é fácil. Acompanhá-la para tentar registrar algum dado comportamental é ainda mais difícil. O que se pode e deve fazer é aproveitar o máximo possível os fortuitos casos em que encontramos um ninho de uma espécie rara, como neste caso da maria-leque.

Vista da janela do escritório itinerante durante a pesquisa!

Mais um dia de trabalho

Graças à intuição do fotógrafo Octavio Salles que, em uma de suas expedições, percebeu que um indivíduo da espécie estava com uma faixa territorial restrita. Como a época precedia a estação reprodutiva, resolvemos voltar ao local um mês depois. Na mosca! Chegando lá encontramos o ninho! A partir daí iniciou-se o trabalho, na verdade foram dois trabalhos paralelos: Octavio fotografando e eu coletando dados qualitativos e quantitativos. Sempre com o cuidado de interferir o mínimo possível, montamos um blind e ficamos a uma distância segura (chamo de distância segura aquela que a ave não demonstra irritação com a presença do objeto estranho, não vocaliza qualquer tipo de alarme). Na época em que o filhote estava prestes à sair do ninho aumentamos esta distância, pois aparentemente a vulnerabilidade aumenta neste período. Foram horas e horas de observação, chuva e sol, visitas de macacos (mono-carvoeiro, prego e bugio) e muitos mosquitos! Não é à toa que uma ave estritamente insetívora faz seu ninho acima  d’água: além de proteção contra predadores, MUITA comida!

O que me resta agora é analisar todos os dados obtidos e escrever um bom trabalho para que a população que resta dessa ave maravilhosa possa ainda criar muitos filhotões como o que acompanhamos. Até minha mãe resolveu conhecer o parque e me ajudou a desmontar o blind no fim do trabalho! Obrigado mãe! Pena que a Fernanda, minha namorada não pode ir! Eu ainda te lego lá, amor! Não poderia deixar também de agradecer toda a generosidade das pessoas envolvidas com o Parque do Zizo, em especial ao meu amigo Chico Balboni e ao Octavio pelo companheirismo e disposição desde a hora de acordar até fazer um rango campeão no jantar, rs!

Eu e minha mãe, Madalena no mirante do parque do zizo depois de trilha e almoço! O ninho da maria-leque fica entre os dois morros, em cima do rio ouro-fino.

 

Os reis do céu

As aves fascinam a humanidade desde os primórdios. Se fôssemos hierarquizar os grupos, certamente os rapinantes encabeçariam a maioria das listas de preferências, talvez pela representação de força e imponência e certamente pela beleza e agilidade. Em minhas últimas viagens ao Parque do Zizo, juntamente com meu amigo Octavio Salles e algumas vezes com seus clientes em seus Bird&Foto Adventures, temos visto muitas espécies deste grupo tão especial. Resolvi então selecionar alguns registros feitos nos últimos três meses, todos eles no Parque do Zizo.

Algumas delas são observadas também próximas à áreas alteradas, como o migratório gavião-de-cauda-curta, Buteo brachyurus:

Outras têm registros mais pontuais, que se concentram na região Sudeste e Sul, como é o caso do gavião-de-sobre-branco, Buteo leucorrhous:

Como a área se encontra bastante preservada os grandes predadores do gênero Spizaetus podem ser vistos com frequência em dias de tempo limpo.

O gavião-pega-macaco, Spizaetus tyrannus é visto normalmente sobre a sede e sobre o ” Mirante dos Gavião”, no caminho de entrada do parque. Esta fotografia foi tirada da sede do parque, este indivíduo sobrevoava a clareira vocalizando constantemente:

O gavião-pato, Spizaetus melanoleucus, é outra espécie que frequentemente dá as caras pelo parque. No em que tirei esta fotografia registramos pelo menos três vezes esta espécie em situações e regiões diferentes como na sede, no mirante e na trilha mestre.

O mais raro deles (ao menos na mata atlântica) é o gavião-de-penacho, Spizaetus ornatus. Ultimamente tem sido o mais registrado, sempre sobrevoando a sede do parque, inclusive a algumas semanas atrás o Octavio Salles observou o display reprodutivo de um macho desta espécie. A frequência de registros, o display e as constantes vocalizações que temos ouvido, repetidas sempre de um mesmo ponto próximo da sede, são indícios que a espécie esteja nidificando nas proximidades, embora até agora não tenhamos conseguido encontrar o ninho, devido à dificuldade de acesso.

Outro registro relativamente comum no parque é o de gavião-pombo-grande, Pseudastur polionotus, inclusive um dia desses um decolou do chão, em frente ao meu carro, voando por alguns segundo à menos de 10 metros de nós, mostrando toda sua força. Em outro encontro recente, na trilha mestre, um indivíduo atravessou a nossa frente na trilha e surpreendeu pela velocidade e agilidade em vôo.

Desculpem a qualidade das fotografias, mas fiz questão de usar as tiradas nas últimas viagens.

A satisfação de estar em um lugar onde o “risco” de encontrar uma dessas máquinas mortíferas é iminente, não têm preço.

Um outro bioma de superlativos

Não é só na floresta amazônica que são encontradas as gigantescas castanheiras e sumaúmas. Na mata atlântica elas também estiveram presentes, embora hoje, só nas áreas de mata primária elas ainda estejam de pé. É o caso do Parque do Zizo, um dos últimos locais que preserva o que sobrou da mata atlântica que Cabral avistou. E algumas destas árvores certamente já existiam antes mesmo que os exploradores portugueses aportassem suas naus na terra brasilis. Como representantes os gigantes jequitibás da mata atlântica semi-decídua, as figueiras gigantes das áreas mais baixas, os jatobás das serras e as araucárias das ombrófilas mistas.

Este Jatobá (Hymenaea courbaril) é um destes seres que viram a história do nosso país do alto e que escapou da destruição em massa que assolou todas as grandes árvores da mata atlântica, principalmente a litorânea. Quando tirei esta fotografia (mês passado) ele estava renovando suas folhas após o inverno. As folhas novas são de um tom alaranjado que aumenta ainda mais a já estonteante beleza desta árvore.

Melhor do que isso é olhar para o mar verde do parque e ver a copa alaranjada de tantos outros gigantes que estão à salvo graças ao esforço de alguns homens que seguiram o caminho contrário da maioria e entendem que eles valem muito mais em pé.

Parque do Zizo, laboratório à céu aberto.

Há tempos que venho ensaiando um “report” sobre o que considero o melhor reduto de Mata Atlântica do mundo. Já estive por lá algumas vezes e, sempre que puder, estarei.

O Parque do Zizo é fascinante, não apenas pelo parque em si; acomodações, comida farta, hospitalidade, etc…mas o que, na minha opinião, é o grande trunfo: está localizado em um lugar estratégico; colado aos P.E ‘s Carlos Botelho e Intervales, na Serra de Paranapiacaba, que ainda nos proporciona ver o bioma com quase zero de alteração. Digo quase zero, porque, ainda que fossem povos pré-colombianos, alguém já deve ter andado por toda aquela extensão de mata.

Em alguns pontos de trilhas e mirantes, a sensação é de que você está vendo o que os portugueses viram, quando aqui chegaram. Um laboratório a céu aberto, que empolga qualquer biólogo ou entusiasta que goste do campo.

Se tratando de Mata Atlântica em todas as suas formações florestais e ecossistemas associados, a floresta ombrófila densa é a mais exuberante. Isso pode ser comprovado simplesmente olhando para o portão do parque. E não precisa olhar o entorno, basta olhar as tábuas que formam o portão. Ao percorrer alguma trilha, pode se perceber que cada milímetro de luz que penetra por entre as densas copas das árvores é disputado por uma epífita ou alguma muda de árvore. Por todos os lados há vida, daria para passar uma eternidade explorando um metro quadrado de floresta.

O lugar é altamente ornitológico, com o “risco iminente” de topar com alguma espécie rara à cada instante, e para isso acontecer, basta você estar dormindo ou almoçando. As trilhas entremeiam hábitats diferentes, cada uma com suas peculiaridades e paisagens fantásticas.

Nas noites de época mais quente a sinfonia de anuros é um convite para chegar na beira do laguinho artificial que fica na clareira da pousada. Nas noites calmas as corujas são as protagonistas.

Mamíferos,que são dificílimos de se conseguir visualização direta, ainda mais num ambiente de floresta tão densa, de vez em quando dão o ar da graça. Antas, iraras, mono-carvoeiros e até onça-pintada já foram registrados.

No site do parque, que passou por recente reformulação e que ainda terá complemento de informações, pode-se obter mais detalhes sobre localização, trilhas, acomodações, etc. Pode-se também baixar a lista de aves com ocorrência confirmada.

PARQUE DO ZIZO

Anfíbios anuros

Não são só as aves que me fascinam. Outro grupo de vertebrados que me atraem são os anfíbios, em especial os anuros (sapos, rãs e pererecas).

Cada vez que vou à campo e tenho contato com estes animais, o interesse fica mais evidente. Embora no momento não possa me aprofundar na Ordem Anura, devo como zoólogo, aproveitar as oportunidades que porventura surjam.

E isso aconteceu durante uma viagem no final de Novembro do ano passado.

Uma verdadeira explosão de perereca-de-colete, Dendropsophus elegans aconteceu durante os dias em que estivemos eu, o Prof. Reginaldo Donatelli e Octavio Campos Salles na RPPN Parque do Zizo.

Outras espécies de anuros estavam cantando por lá, bem ao lado da sede, num laguinho artificial, porém muito propício a estes animais.

Consegui fazer algumas fotografias, com ajuda e empréstimo de equipamento do Octavio, como flash remoto.

Este fantástico e fotogênico animal é uma perereca-das-folhagens, Phyllomedusa distincta.

Uma das minhas prediletas.

Este é um sapo-ferreiro, Hypsiboas faber, e sua vocalização de anúncio é muito interessante, seria o equivalente a “araponga” dos anuros (guardadas às proporções).

Esté é um Bufo ictericus, sapo-cururu.

Além disso encontramos várias rãzinhas durante as trilhas, em meio à serrapilheira, acredito que sejam Physsalaemus bokermani. Infelizemente só consegui fotografar as espécies de maior porte, pois não possuo uma lente macro.

Bom, meus conhecimentos quanto esta ordem são bastante limitados, portanto recorro à ajuda de sites como por exemplo o amphibiaweb.org (indicação do amigo Carlos Henrique, que atualmente trabalha com estes animais). Se alguém souber de algum equívoco que tenha cometido na identificação das fotos, por favor avise.

Uma outra dica que posso dar é o Guia Sonoro dos Anfíbios Anuros da Mata Atlântica; trata-se de um cd-rom com vocalizações de 80 espécies.

Comprando livros pelo Amazon

Recentemente descobri que livros comprados em sites estrangeiros, como por exemplo o Amazon.com são isentos de impostos. Basta ter um cartão de crédito internacional e um pouco de paciência para esperar quase um mês para recebê-los em casa.

Em termos de preço e prazo de entrega, vale a pena, pois as grandes livrarias, que vendem livros importados, impõem um prazo maior do que o próprio Amazon (o que me leva a desconfiar de que façam a compra como pessoa física, por exemplo no próprio Amazon, e repassem ao consumidor final com um preço mais alto).

Fiz o teste no dia 24 de outubro, e hoje recebi em casa três livros.

São eles:

LIVRO 1:

Parrots of the World (Princeton field Guides)

Joseph M. Forshaw, Frank Knight

Publicação muito recente (17 de outubro de 2010), 336 páginas. Todas as 356 espécies de psitacídeos do mundo, também indica subespécies.

As pranchas são muito boas, a grande maioria possui a espécie pousada, em vôo (dorso e ventre) e suas subespécies.

Os mapas de distribuição também indicam as subespécies.

Por exemplo Forpus xanthopterygius, suas ssp. inclusive no mapa de distribuição.

Preço no Amazon: US$ 19,77                 Preço no Brasil: app. R$ 70,00

LIVRO 2:

Field Guide to the Songbirds of South America: The Passerines (Mildred Wyatt-Wold Series in Ornithology)

Robert S. Ridgely, Guy Tudor

Publicação: Julho de 2009                 736 páginas.

Pranchas excelentes (as melhores que já vi)

Muitas informações, livro muito bom.

Preço no Amazon: US$ 32,97   Preço no Brasil: R$ 157,00

LIVRO 3:

Owls of the World

Publicação fevereiro de 2009,                  528 páginas

Pranchas razoáveis, (ruins, se comparadas ao HandBook of the Birds of the World, volume 5)

Boa quantidade de informações, o que compensa as pranchas.

Preço no Amazon:  US$ 50,62        Preço no Brasil: R$ 175,00

O frete:

São três opções de frete. Um bem demorado, mais em conta; outro mediano (que escolhi) e um expresso (muito caro).

Meu pedido chegou um dia antes do previsto (total de 24 dias de espera).

O total com frete, foi de US$ 138,32, convertidos para real  app. R$ 235,00

Se fosse comprar no Brasil gastaria por volta de R$ 430,00, e o prazo de entrega no caso de dois dos três livros seria superior à seis semanas.

LEMBRANDO que até onde sei, a isenção fiscal vale APENAS para livros.

Muito bom! E não é muito diferente disso não…

Concurso SOS Mata Atlântica 2010

Tive uma foto premiada no concurso de fotografia da SOS Mata Atlântica.

12 Lugar na categoria profissional.

CONFIRA AQUI

A foto é de um tecelão, Cacicus chrysopterus, que tirei na Reserva Guainumbi durante o Workshop do Octavio Salles. Com certeza as técnicas de tratamento que aprendi durante o curso ajudaram na decisão do júri. Agradeço ao Octavio Salles pelas dicas e ao João Marcelo por nos dar a chance de fotografar aves num ambiente muito propício.

Um abraço,

 

Guilherme Ortiz

Grata surpresa

Durante a disciplina Ornitologia de Campo em Aquidauana – MS, o Professor Reginaldo me proporcionou uma grata surpresa:

Sabendo da minha predileção por corujas (Strigiformes) ele trouxe um caburé, Glaucidium brasilianum, que havia caído na rede ornitológica na qual os amigos Magali e Marcelo trabalharam durante o curso.

Foi muito legal ver o bichinho de perto, é menor do que imaginava; sempre que via esta espécie durante as saídas de campo tinha a impressão de que não era tão pequena.

Mas apesar do tamanho diminuto senti na pele o quão afiada são as garrinhas deste formidável predador. A bicada dói, mas a garra é pior ainda, hehe. Mas valeu muito! A soltura foi outro momento muito legal, o bichinho é bem resistente e voou para longe assim que o coloquei no chão e soltei.

 

Eu segurando o caburezinho e o Prof. Reginaldo chamando a atenção dele, para vermos o quanto ele é capaz de girar a cabeça.

Sempre alerta, essa visão binocular é demais, uma maquininha de caçar! Ela foi pega na rede e ao lado dela havia um Casiornis rufus machucado, provavelmente eles caíram na rede durante a perseguição, ou então ela se aproveitou do caneleiro preso na rede, uma presa fácil. No final das contas os dois sobreviveram.

Agradeço ao Prof. Reginaldo Donatelli por me proporcionar este momento e a Magali e Marcelo pelas fotos tiradas.

Eu com cara de bobo, fascinado! Hehehe

 

Pra quem quiser mais informações vejam um post do Octavio Salles, fotografamos outro Glaucidium brasilianum ano passado durante uma estada em Bonito – MS.

 

Confiram o post neste link: Parece mas não é!

Pantanal

Busarellus nigricollis, gavião-belo, margem direita do rio Correntoso.

 

Olá pessoal, estou de volta de uma viagem incrível. Fui participar de uma disciplina da pós da UNESP, ministrada pelo Prof. Reginaldo Donatelli, chamada ornitologia de campo.

Fomos à Faz. Santa Emília, ficamos na pousada Ararauna. A cidade mais próxima é Aquidauana, no Mato Grosso do Sul.

A propriedade tem 3000 ha, com formações de cerradão, mata ciliar, baías temporárias e permanentes, cordilheiras e cambarazais.

Não pude fotografar muito, pois meu tempo era ocupado entre transectos, seminários e discussões sobre artigos.

Mas vi muitos bichos, destacando Nyctibius grandis, Melanerpes cactorum, Piculus chrysochloros.

Alguns que não são difíceis mas que não tinha visto ainda, como: Heliornis fulica, Hydropsalis torquata, Pandion haliaetus e Crotophaga major.

Durante as saídas de barco pelo rio Correntoso, que corta a fazenda, pude fazer algumas fotos:

 

Tigrisoma lineatum, socó-boi, rio Correntoso.

Donacobius atricapilla, japacanim.

Jacarés, Caiman yacare, brigando, tomei um banho desses dois!

Ariranha, Pteronura brasiliensis.

Nyctibius griseus, urutau

Vimos também outros animais, como tamanduás bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e mirim (Tamandua tetradactyla), cervo do pantanal (Blastocerus dichotomus), veado mateiro (Mazama americana), queixadas (Tayassu pecari), irara (Eira barbara), bugio (Allouatta caraya), tatu galinha (Dasypus novemcinctus), tatu peba (Euphractus sexcinctus), cachorro do mato (Cerdocyon thous), raposinha (Pseudalopex gymnocercus), quati (Nasua nasua), capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris).

 

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